STF mantém corte na aposentadoria por invalidez: entenda o impacto real da decisão
- ribeirotorbes
- 18 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Você pode estar gravemente doente, incapaz de trabalhar de forma definitiva — e ainda assim receber menos do INSS do que recebia quando estava afastado temporariamente.
Parece injusto?Pois foi exatamente isso que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter.
Em 18 de dezembro de 2025, por 6 votos a 5, o STF confirmou a regra da Reforma da Previdência de 2019 (EC 103/2019) que reduziu o valor da aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez).
Neste artigo, eu — como advogado previdenciário — vou te explicar, sem juridiquês, o que mudou, por que o STF manteve essa regra, quem é mais prejudicado e o que você pode (ou não) fazer na prática.
⚖️ O que o STF decidiu sobre a aposentadoria por invalidez?
O STF analisou ações que questionavam se a nova forma de cálculo da aposentadoria por incapacidade permanente seria inconstitucional.
👉 Resultado final:A Corte decidiu que a regra é constitucional e continua valendo para a maioria dos segurados.
👉 Placar apertado:
6 votos a favor da manutenção
5 votos contra, defendendo a derrubada da regra
Essa divisão mostra o quanto o tema é sensível e polêmico, especialmente para quem depende do INSS para sobreviver.
📊 Como era o cálculo antes da Reforma da Previdência?
Antes da EC 103/2019, a regra era simples e mais protetiva:
✔️ 100% do salário de benefício
Média das contribuições
Valia inclusive para doenças graves, mesmo que não fossem acidente de trabalho
📌 Na prática: quem ficava permanentemente incapaz recebia um benefício integral, compatível com a gravidade da situação.
📉 Como ficou o cálculo após a Reforma (regra mantida pelo STF)?
Hoje, a aposentadoria por incapacidade permanente funciona assim:
🔹 Regra geral
60% da média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994
Acréscimo de:
2% por ano que exceder:
20 anos de contribuição (homens)
15 anos de contribuição (mulheres)
🔹 Exceção (única hipótese de 100%)
Acidente de trabalho
Doença ocupacional
Doença profissional
📌 Doenças graves comuns (como câncer, AVC, doenças degenerativas) não garantem mais 100% do valor.
⚠️ Situação absurda: aposentadoria pode pagar menos que o auxílio-doença
Aqui está um dos pontos mais críticos da decisão:
🟡 Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença):
Aproximadamente 91% da média salarial
🔴 Aposentadoria por incapacidade permanente (não acidentária):
Pode começar em 60% da média
👉 Ou seja:A incapacidade permanente, mais grave, pode gerar um benefício menor do que a incapacidade temporária.
Esse foi um dos principais argumentos usados contra a regra.
🧠 O que foi questionado nas ações contra a Reforma?
As ações levadas ao STF apontaram, principalmente:
❌ Violação à isonomia
Tratamento desigual entre:
Incapacidade permanente comum
Incapacidade por acidente de trabalho
❌ Retrocesso social
Redução de proteção para pessoas em extrema vulnerabilidade, como:
Pacientes com câncer
Pessoas que sofreram AVC
Doenças incapacitantes irreversíveis
❌ Desproporcionalidade
A lógica foi considerada injusta:
“Como a incapacidade definitiva pode pagar menos que a temporária?”
👩⚖️ Como foi a divisão dos votos no STF?
✅ Votos pela manutenção da regra (6)
Luís Roberto Barroso (relator)
Cristiano Zanin
André Mendonça
Nunes Marques
Luiz Fux
Gilmar Mendes
Argumento central:A regra busca o equilíbrio financeiro e atuarial da Previdência, e o legislador tem liberdade para fazer reformas sustentáveis.
❌ Votos contra a regra (5)
Flávio Dino (abriu divergência)
Edson Fachin
Alexandre de Moraes
Dias Toffoli
Cármen Lúcia
Principais argumentos:
Falta de isonomia racional
Retrocesso em direitos fundamentais
Penalização indevida da incapacidade permanente
🧾 Qual foi o caso concreto analisado?
O caso envolveu um segurado que:
Ficou incapacitado antes da Reforma (2019)
Teve a aposentadoria concedida após a Reforma (2021)
👉 Resultado:O valor do benefício permanente ficou menor do que o auxílio que ele recebia antes.
Mesmo assim, o STF manteve a regra.
📌 Impactos práticos da decisão do STF
✔️ A regra da Reforma continua valendo
❌ Não haverá revisão automática dos benefícios
📉 Milhares de segurados continuarão recebendo valores menores
⚠️ A decisão reforça a sustentabilidade do sistema, mas sacrifica os mais vulneráveis
A própria AGU defendeu a regra alegando risco fiscal elevado caso fosse derrubada.
❓ Perguntas frequentes (FAQ)
A aposentadoria por invalidez acabou?
Não. Ela apenas mudou de nome para aposentadoria por incapacidade permanente.
Quem tem câncer ou AVC recebe 100%?
❌ Não necessariamente.Somente se a incapacidade tiver origem em acidente de trabalho ou doença ocupacional.
Posso revisar meu benefício por causa dessa decisão?
❌ Não de forma automática.Cada caso precisa ser analisado individualmente.
Ainda vale a pena procurar um advogado previdenciário?
✅ Sim. Estratégia, planejamento e enquadramento correto fazem toda a diferença.
✅ Conclusão: o que essa decisão realmente significa?
O STF decidiu priorizar o equilíbrio financeiro da Previdência, mesmo reconhecendo os impactos sociais da regra.
Para o segurado, a lição é clara:👉 não basta estar doente👉 não basta ter laudos👉 não basta a incapacidade ser permanente
Hoje, planejamento previdenciário e estratégia jurídica são essenciais para evitar prejuízos graves.






Comentários