Perícia por depressão no INSS em 2026: as 5 perguntas do perito e como responder
Você chegou na perícia com o laudo do psiquiatra na mão. CID escrito, carimbo, tudo certinho. E saiu de lá com o benefício negado.
Isso acontece com muita gente. E quase nunca é porque a pessoa não está doente. Na maioria das vezes, a pessoa só não sabia o que o perito estava procurando.
Neste artigo você vai entender o que acontece de verdade na perícia por depressão, quais são as 5 perguntas que o perito faz e como responder cada uma com a verdade inteira, sem esconder e sem exagerar.
O INSS paga por doença ou por incapacidade?
Esta é a primeira coisa a entender, e ela muda tudo.
O INSS não paga auxílio-doença por doença. Paga por incapacidade.
Ou seja: o benefício é para quem não consegue fazer o seu trabalho por mais de 15 dias seguidos por causa da doença.
O laudo diz o que você tem.
A perícia mede o que você não consegue mais fazer.
Por isso o perito não está ali para confirmar se você tem depressão. Isso o laudo já mostra. Ele está ali para decidir se essa depressão te impede de trabalhar hoje.
E o problema é grande. Em 2025, o Brasil passou de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência. É muita gente doente de verdade chegando na perícia sem saber o que vai ser perguntado.
Dá para pedir auxílio-doença por depressão só com atestado?
Dá, em alguns casos. Pelo Atestmed, você pede o benefício pelo Meu INSS enviando o atestado, sem perícia presencial. Esse caminho vale para afastamentos de até 90 dias (somando os pedidos).
Só que a depressão muitas vezes passa desses 90 dias. E aí a perícia presencial chega.
Outro ponto importante: em regra, você precisa ter 12 meses de contribuição para ter direito ao auxílio-doença. A depressão não dispensa esse tempo mínimo.
Quais são as 5 perguntas da perícia por depressão?
Pergunta 1: "Me conta como é o seu dia, da hora que acorda até a hora de deitar"
Parece conversa, mas é aqui que o perito começa a medir a sua capacidade. Na perícia psiquiátrica, ele observa quatro coisas:
Se você consegue cuidar de si mesmo
Se você convive com outras pessoas
Se você consegue se concentrar
Se você consegue se adaptar quando as coisas mudam
Resposta que prejudica:
"Ah, doutor, normal. Acordo, faço café, arrumo a casa, vejo a novela."
Muita gente fala assim por vergonha ou orgulho. Só que o perito anota: "realiza as atividades do dia a dia sem limitação". E o pedido cai ali mesmo.
Resposta verdadeira e com detalhe:
"Eu acordo às 6, mas só consigo levantar perto das 10. Tem dia que não consigo tomar banho. Quem faz o almoço é minha filha. Ligo a televisão e não sei dizer o que passou."
O mesmo vale para a vida social. "Vou na igreja todo domingo" vira "convívio preservado". Agora, "eu vou, mas fico no último banco, não falo com ninguém e saio antes de terminar" mostra a limitação real.
Não é para mentir nem inventar. Se você faz o café, diga que faz. Mas diga quanto tempo leva e o que deixou de fazer por causa da doença.
Dica: anote numa folha ou no celular uma semana real sua. O que você conseguiu fazer, o que não conseguiu, onde teve dificuldade e quem te ajudou. Na hora da perícia o nervoso apaga a memória, mas a folha não apaga.
Pergunta 2: "Você faz tratamento com que frequência?"
O perito quer saber se a doença está sendo tratada. A lei exige que quem está afastado siga o tratamento indicado.
Resposta que prejudica:
"Faço sim." E quando ele pergunta da última consulta: "Faz uns 6, 8 meses. O posto não tinha vaga."
No papel isso vira "sem acompanhamento regular". E a doença parece leve ou já controlada.
Resposta verdadeira e com detalhe:
"Vou no psiquiatra a cada dois meses, a última consulta foi no dia tal. Faço psicólogo toda semana no CAPS. Fiquei 4 meses sem consulta porque não tinha vaga no posto. Pedi em março e só consegui em julho."
Se você se trata só com o clínico do posto, isso também é tratamento. Diga o nome do remédio e há quanto tempo toma. Se está na fila do psiquiatra, leve o encaminhamento e o comprovante da fila (um print do sistema já ajuda).
Tratamento parado com explicação e prova é uma coisa. Tratamento parado sem explicação parece desistência.
Pergunta 3: "Quais remédios você toma? Desde quando e em que dose?"
Aqui o perito confere três coisas: o laudo, a receita e o que você fala. As três precisam bater.
Resposta que prejudica:
"Tomo um remedinho pra dormir, não lembro o nome."
Ou pior: o laudo diz uma dose e você fala outra. Dúvida na perícia raramente joga a seu favor.
Como se preparar: faça uma lista com:
Nome de cada remédio
Dose e horário
Desde quando toma
Se o médico já aumentou ou trocou a dose
A dose aumentada mostra que a doença não melhorou na primeira tentativa. E se o remédio tem efeito colateral, fale. "Esse remédio me dá muito sono de manhã" pesa muito para quem dirige ou mexe com máquina.
Leve as receitas organizadas: as atuais na frente, as antigas atrás.
Pergunta 4: "Por que você não consegue trabalhar?" (a que mais derruba pedido)
Esta é a pergunta central da perícia. As outras servem para conferir a resposta desta.
Resposta que prejudica:
"Porque eu tenho depressão." / "Porque eu fico triste." / "Porque eu só choro."
O perito já sabe disso, está no laudo. Você repetiu o diagnóstico, mas não respondeu a pergunta. Ele quer saber como a doença atrapalha o seu trabalho.
Veja a diferença. Uma caixa de supermercado de 50 e poucos anos diz:
"Doutor, eu fico triste, sem vontade de fazer nada."
O perito pensa: tristeza não impede de passar compra no caixa.
A mesma mulher, com a mesma doença, contando a verdade com detalhe:
"Não estou conseguindo nem dar o troco. Semana passada tive que sair do caixa três vezes. Quando a fila cresce me dá falta de ar. Já chorei na frente de cliente. Não consigo olhar pra pessoa."
A doença é a mesma. Mas agora o perito vê a ligação entre a doença e o trabalho: falta de concentração, crise diante de gente, não consegue atender o público. Isso é incapacidade.
Exercício para fazer em casa: escreva a sua profissão. Liste as tarefas que você mais faz no trabalho. Ao lado de cada uma, escreva o que a doença atrapalha. Alguns exemplos:
Motorista: o remédio dá sono, perde a atenção na estrada.
Pedreiro: tem semana que não levanta da cama, e trabalhar em altura sem atenção é risco de vida.
Professora: não aguenta barulho, esquece o que ia explicar no meio da aula.
Bancário ou administrativo: só de pensar em metas e números, o coração acelera.
Dona de casa que contribui: vale o mesmo para as tarefas da casa.
Ligue cada sintoma a uma tarefa. É isso que responde à quarta pergunta.
Pergunta 5: "Como o senhor veio até aqui? Veio sozinho?"
Parece cortesia, mas a perícia também é observação. O perito descreve o que vê: como você entra na sala, como fala, sua aparência, se está orientado no tempo e no espaço.
Aqui existem dois erros opostos:
Disfarçar: se arrumar mais que o normal, fazer cara de forte e dizer "tô bem, graças a Deus". O perito anota que viu alguém sem sinais de sofrimento.
Exagerar: fazer teatro. O perito de psiquiatria percebe. E quando percebe exagero, passa a duvidar de tudo, até do que era verdade.
O caminho é o meio: a verdade. Vá como você vai num dia comum. Se alguém te levou porque você não consegue sair sozinho, diga isso. Se foi sozinho, conte como: "Vim de ônibus, minha filha me deixou no ponto e vai me buscar."
Quais documentos levar na perícia por depressão?
Monte uma pasta com estes 5 itens:
Laudo recente e completo do psiquiatra. Atestado de três linhas com "afastamento por 60 dias" não basta. O laudo precisa dizer desde quando você se trata, quais remédios e doses, o histórico, o diagnóstico, a previsão de melhora e, principalmente, quais são as suas limitações para o trabalho. Você pode pedir ao seu médico: "Doutor, o senhor pode escrever o que eu não consigo mais fazer no serviço? O INSS pede isso."
Receitas atuais e antigas.
Comprovantes de consulta e acompanhamento, incluindo os papéis da fila de espera e de atendimento negado.
Relatório do psicólogo ou do CAPS, se você faz acompanhamento.
Sua folha pessoal: a semana real, a lista de remédios e as tarefas do trabalho que você não consegue mais fazer. Ela não é prova, mas é a sua memória no dia em que o nervoso chegar.
A perícia negou o meu auxílio-doença por depressão. E agora?
Calma. Infelizmente a negativa é muito comum, e ela não é o fim da história.
Abra o Meu INSS (site ou aplicativo) e leia o motivo da negativa. Ali aparece onde o pedido travou.
Você tem 30 dias para recorrer no próprio INSS.
Dependendo do caso, o caminho pode ser um novo pedido mais bem preparado ou uma ação na Justiça. Procure um advogado previdenciário de confiança para avaliar a sua situação.
Muitas vezes a negativa veio de um laudo que não dizia o que precisava, ou de uma perícia em que a pessoa não sabia o que ia ser perguntado.
Perguntas frequentes
Depressão dá direito a auxílio-doença?Pode dar, quando a depressão te impede de trabalhar por mais de 15 dias seguidos. Ter o diagnóstico sozinho não basta. É preciso mostrar a incapacidade e, em regra, ter 12 meses de contribuição.
O que não falar na perícia do INSS por depressão?Não responda só "estou bem" ou "faço tudo normal" por vergonha. E não exagere nem encene. Conte a verdade inteira, com detalhe de como a doença atrapalha o seu dia e o seu trabalho.
Posso levar anotações para a perícia?Pode. Levar a lista de remédios, doses e a sua rotina ajuda a não esquecer nada por causa do nervoso.
Preciso ter 12 meses de contribuição para auxílio-doença por depressão?Em regra, sim. A depressão não dispensa a carência mínima de 12 meses.
Dá para pedir auxílio-doença por depressão pelo Atestmed?Dá, para afastamentos de até 90 dias somados, enviando o atestado pelo Meu INSS. Acima disso, a perícia presencial entra.
Quanto tempo tenho para recorrer da negativa da perícia?30 dias a partir da ciência da decisão, pelo Meu INSS.
Resumindo
O CID abre a porta. Mas quem decide a perícia é a ligação entre a sua doença e o seu trabalho, contada com verdade e com detalhe.
Quer ver tudo isso explicado pela Dra. Cláudia Torbes, com exemplos? Assista ao vídeo completo: https://www.youtube.com/watch?v=Ydiz6z5c2E0
E compartilhe este artigo com quem vai passar pela perícia. Pode fazer toda a diferença.
Informação liberta.#informacaoliberta
Este conteúdo é informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.


Comentários