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Perícia por depressão no INSS em 2026: as 5 perguntas do perito e como responder

ribeirotorbes
há 1 dia
7 min de leitura

Você chegou na perícia com o laudo do psiquiatra na mão. CID escrito, carimbo, tudo certinho. E saiu de lá com o benefício negado.

Isso acontece com muita gente. E quase nunca é porque a pessoa não está doente. Na maioria das vezes, a pessoa só não sabia o que o perito estava procurando.

Neste artigo você vai entender o que acontece de verdade na perícia por depressão, quais são as 5 perguntas que o perito faz e como responder cada uma com a verdade inteira, sem esconder e sem exagerar.

O INSS paga por doença ou por incapacidade?

Esta é a primeira coisa a entender, e ela muda tudo.

O INSS não paga auxílio-doença por doença. Paga por incapacidade.

Ou seja: o benefício é para quem não consegue fazer o seu trabalho por mais de 15 dias seguidos por causa da doença.

  • O laudo diz o que você tem.

  • A perícia mede o que você não consegue mais fazer.

Por isso o perito não está ali para confirmar se você tem depressão. Isso o laudo já mostra. Ele está ali para decidir se essa depressão te impede de trabalhar hoje.

E o problema é grande. Em 2025, o Brasil passou de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência. É muita gente doente de verdade chegando na perícia sem saber o que vai ser perguntado.

Dá para pedir auxílio-doença por depressão só com atestado?

Dá, em alguns casos. Pelo Atestmed, você pede o benefício pelo Meu INSS enviando o atestado, sem perícia presencial. Esse caminho vale para afastamentos de até 90 dias (somando os pedidos).

Só que a depressão muitas vezes passa desses 90 dias. E aí a perícia presencial chega.

Outro ponto importante: em regra, você precisa ter 12 meses de contribuição para ter direito ao auxílio-doença. A depressão não dispensa esse tempo mínimo.

Quais são as 5 perguntas da perícia por depressão?

Pergunta 1: "Me conta como é o seu dia, da hora que acorda até a hora de deitar"

Parece conversa, mas é aqui que o perito começa a medir a sua capacidade. Na perícia psiquiátrica, ele observa quatro coisas:

  1. Se você consegue cuidar de si mesmo

  2. Se você convive com outras pessoas

  3. Se você consegue se concentrar

  4. Se você consegue se adaptar quando as coisas mudam

Resposta que prejudica:

"Ah, doutor, normal. Acordo, faço café, arrumo a casa, vejo a novela."

Muita gente fala assim por vergonha ou orgulho. Só que o perito anota: "realiza as atividades do dia a dia sem limitação". E o pedido cai ali mesmo.

Resposta verdadeira e com detalhe:

"Eu acordo às 6, mas só consigo levantar perto das 10. Tem dia que não consigo tomar banho. Quem faz o almoço é minha filha. Ligo a televisão e não sei dizer o que passou."

O mesmo vale para a vida social. "Vou na igreja todo domingo" vira "convívio preservado". Agora, "eu vou, mas fico no último banco, não falo com ninguém e saio antes de terminar" mostra a limitação real.

Não é para mentir nem inventar. Se você faz o café, diga que faz. Mas diga quanto tempo leva e o que deixou de fazer por causa da doença.

Dica: anote numa folha ou no celular uma semana real sua. O que você conseguiu fazer, o que não conseguiu, onde teve dificuldade e quem te ajudou. Na hora da perícia o nervoso apaga a memória, mas a folha não apaga.

Pergunta 2: "Você faz tratamento com que frequência?"

O perito quer saber se a doença está sendo tratada. A lei exige que quem está afastado siga o tratamento indicado.

Resposta que prejudica:

"Faço sim." E quando ele pergunta da última consulta: "Faz uns 6, 8 meses. O posto não tinha vaga."

No papel isso vira "sem acompanhamento regular". E a doença parece leve ou já controlada.

Resposta verdadeira e com detalhe:

"Vou no psiquiatra a cada dois meses, a última consulta foi no dia tal. Faço psicólogo toda semana no CAPS. Fiquei 4 meses sem consulta porque não tinha vaga no posto. Pedi em março e só consegui em julho."

Se você se trata só com o clínico do posto, isso também é tratamento. Diga o nome do remédio e há quanto tempo toma. Se está na fila do psiquiatra, leve o encaminhamento e o comprovante da fila (um print do sistema já ajuda).

Tratamento parado com explicação e prova é uma coisa. Tratamento parado sem explicação parece desistência.

Pergunta 3: "Quais remédios você toma? Desde quando e em que dose?"

Aqui o perito confere três coisas: o laudo, a receita e o que você fala. As três precisam bater.

Resposta que prejudica:

"Tomo um remedinho pra dormir, não lembro o nome."

Ou pior: o laudo diz uma dose e você fala outra. Dúvida na perícia raramente joga a seu favor.

Como se preparar: faça uma lista com:

  • Nome de cada remédio

  • Dose e horário

  • Desde quando toma

  • Se o médico já aumentou ou trocou a dose

A dose aumentada mostra que a doença não melhorou na primeira tentativa. E se o remédio tem efeito colateral, fale. "Esse remédio me dá muito sono de manhã" pesa muito para quem dirige ou mexe com máquina.

Leve as receitas organizadas: as atuais na frente, as antigas atrás.

Pergunta 4: "Por que você não consegue trabalhar?" (a que mais derruba pedido)

Esta é a pergunta central da perícia. As outras servem para conferir a resposta desta.

Resposta que prejudica:

"Porque eu tenho depressão." / "Porque eu fico triste." / "Porque eu só choro."

O perito já sabe disso, está no laudo. Você repetiu o diagnóstico, mas não respondeu a pergunta. Ele quer saber como a doença atrapalha o seu trabalho.

Veja a diferença. Uma caixa de supermercado de 50 e poucos anos diz:

"Doutor, eu fico triste, sem vontade de fazer nada."

O perito pensa: tristeza não impede de passar compra no caixa.

A mesma mulher, com a mesma doença, contando a verdade com detalhe:

"Não estou conseguindo nem dar o troco. Semana passada tive que sair do caixa três vezes. Quando a fila cresce me dá falta de ar. Já chorei na frente de cliente. Não consigo olhar pra pessoa."

A doença é a mesma. Mas agora o perito vê a ligação entre a doença e o trabalho: falta de concentração, crise diante de gente, não consegue atender o público. Isso é incapacidade.

Exercício para fazer em casa: escreva a sua profissão. Liste as tarefas que você mais faz no trabalho. Ao lado de cada uma, escreva o que a doença atrapalha. Alguns exemplos:

  • Motorista: o remédio dá sono, perde a atenção na estrada.

  • Pedreiro: tem semana que não levanta da cama, e trabalhar em altura sem atenção é risco de vida.

  • Professora: não aguenta barulho, esquece o que ia explicar no meio da aula.

  • Bancário ou administrativo: só de pensar em metas e números, o coração acelera.

  • Dona de casa que contribui: vale o mesmo para as tarefas da casa.

Ligue cada sintoma a uma tarefa. É isso que responde à quarta pergunta.

Pergunta 5: "Como o senhor veio até aqui? Veio sozinho?"

Parece cortesia, mas a perícia também é observação. O perito descreve o que vê: como você entra na sala, como fala, sua aparência, se está orientado no tempo e no espaço.

Aqui existem dois erros opostos:

  1. Disfarçar: se arrumar mais que o normal, fazer cara de forte e dizer "tô bem, graças a Deus". O perito anota que viu alguém sem sinais de sofrimento.

  2. Exagerar: fazer teatro. O perito de psiquiatria percebe. E quando percebe exagero, passa a duvidar de tudo, até do que era verdade.

O caminho é o meio: a verdade. Vá como você vai num dia comum. Se alguém te levou porque você não consegue sair sozinho, diga isso. Se foi sozinho, conte como: "Vim de ônibus, minha filha me deixou no ponto e vai me buscar."

Quais documentos levar na perícia por depressão?

Monte uma pasta com estes 5 itens:

  1. Laudo recente e completo do psiquiatra. Atestado de três linhas com "afastamento por 60 dias" não basta. O laudo precisa dizer desde quando você se trata, quais remédios e doses, o histórico, o diagnóstico, a previsão de melhora e, principalmente, quais são as suas limitações para o trabalho. Você pode pedir ao seu médico: "Doutor, o senhor pode escrever o que eu não consigo mais fazer no serviço? O INSS pede isso."

  2. Receitas atuais e antigas.

  3. Comprovantes de consulta e acompanhamento, incluindo os papéis da fila de espera e de atendimento negado.

  4. Relatório do psicólogo ou do CAPS, se você faz acompanhamento.

  5. Sua folha pessoal: a semana real, a lista de remédios e as tarefas do trabalho que você não consegue mais fazer. Ela não é prova, mas é a sua memória no dia em que o nervoso chegar.

A perícia negou o meu auxílio-doença por depressão. E agora?

Calma. Infelizmente a negativa é muito comum, e ela não é o fim da história.

  1. Abra o Meu INSS (site ou aplicativo) e leia o motivo da negativa. Ali aparece onde o pedido travou.

  2. Você tem 30 dias para recorrer no próprio INSS.

  3. Dependendo do caso, o caminho pode ser um novo pedido mais bem preparado ou uma ação na Justiça. Procure um advogado previdenciário de confiança para avaliar a sua situação.

Muitas vezes a negativa veio de um laudo que não dizia o que precisava, ou de uma perícia em que a pessoa não sabia o que ia ser perguntado.

Perguntas frequentes

Depressão dá direito a auxílio-doença?Pode dar, quando a depressão te impede de trabalhar por mais de 15 dias seguidos. Ter o diagnóstico sozinho não basta. É preciso mostrar a incapacidade e, em regra, ter 12 meses de contribuição.

O que não falar na perícia do INSS por depressão?Não responda só "estou bem" ou "faço tudo normal" por vergonha. E não exagere nem encene. Conte a verdade inteira, com detalhe de como a doença atrapalha o seu dia e o seu trabalho.

Posso levar anotações para a perícia?Pode. Levar a lista de remédios, doses e a sua rotina ajuda a não esquecer nada por causa do nervoso.

Preciso ter 12 meses de contribuição para auxílio-doença por depressão?Em regra, sim. A depressão não dispensa a carência mínima de 12 meses.

Dá para pedir auxílio-doença por depressão pelo Atestmed?Dá, para afastamentos de até 90 dias somados, enviando o atestado pelo Meu INSS. Acima disso, a perícia presencial entra.

Quanto tempo tenho para recorrer da negativa da perícia?30 dias a partir da ciência da decisão, pelo Meu INSS.

Resumindo

O CID abre a porta. Mas quem decide a perícia é a ligação entre a sua doença e o seu trabalho, contada com verdade e com detalhe.

Quer ver tudo isso explicado pela Dra. Cláudia Torbes, com exemplos? Assista ao vídeo completo: https://www.youtube.com/watch?v=Ydiz6z5c2E0

E compartilhe este artigo com quem vai passar pela perícia. Pode fazer toda a diferença.

Informação liberta.#informacaoliberta

Este conteúdo é informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

 
 
 

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